Tuesday, January 30, 2007

Nós

É um chorar de mim desregrado por instinto
Da devoção doente que procuro e não arranho sequer
Dos pós de vazio, dos ventos de asfixia
Um querer olhar para trás cego de lucidez
Um roçar nauseante dos traços, das emoções ocas
É possuir nada por saber querer tudo
É dizer ilha por saber fingir o mundo
É cobardia encandeada a tactear os sentidos
Um despertar para a solidão que é ter-te
São memórias de nuncas e nadas, de fantasmas
São fins do que não é, princípios do que não foi
É um desfiar-me nos laços que não atam ninguém
São as palavras dos ausentes que não conheces
As estórias que mesmo assim queres contar

É um dizer de mim ensaiado por outros
Do vestido de agonia que trago e não possuo sequer
Das lamentações de ontem, das vontades de mais sol
Um saber caminhar para ti sem marcas de Norte
Um sentir lancinante dos passos, das luzes feridas
É estar de luto pelas cores que perdi
É estar cheia da tua ausência em mim
É fome transparente a pintar os corpos
Um acordar para a celebração que é superar-te
São revelações de rumores e sinfonias, de melodias
São passados que não sou, vidas que não fui
É um perder-me nos abismos que não esperam ninguém
São os gritos de me consumir e ser feita de nós
Os momentos que ainda assim quero desembaraçar

1 Comments:

Anonymous Anonymous said...

Não estou habituado, a comentar texto algum, de magnitude semelhante, mas creio, que nestas circunstâncias, quanto mais se diga, mais redundante nos tendemos a tornar.
Muito bom.
*

1:05 PM  

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