Monstros de nós
Como se abraça algo que escapa?
Como sorrir enquanto nos rasgam as máscaras?
Como se abraça e sorri a qualquer outra pessoa.
Somos forçados a sentirmo-nos forçados
Embaraçados, culpados, estragados,
Por sabermos que o outro não é um alguém
Mas o todo, o alguém-eu perdido nas sensações
Relembrado a cada cruzar de olhos.
Ar húmido e denso, ofegante
Sufoco em ti, sufoco de ti
Perseguidos por luzes, ofuscados por abismos
Contrastes nítidos que ondulam em nós.
O medo move almas,
O medo aprisiona corações
Monstros dançam na massa negra da noite
Escondem-se atrás de pedras e musgos
Saltam por detrás de troncos e curvas
Fogem da luz, movimentam-se em si mesmos
Prometem arranhar-nos do seu mundo negro,
Porque o nosso é vermelho
Vermelho de sangue, vermelho escarlate
O que nos corre nas veias.
O medo fascina irracionalidades
O medo atrai vazios
E atrás deles corremos porque nunca basta
O corpo reage ao terror que nos envolve
Envolvendo-nos mais nele.
Gritas poemas escritos nas pálpebras dos olhos
Recito frases surdas nunca antes feitas
Que a escuridão nos engula na sua voraz fome
Música que nos pinta a vida e a morte.
Afastamo-nos no escuro, esquecemo-nos de nós.
A tua mão traz-me de volta
Calor que aquece o frio nas nossas bocas
Que queima o olhar gélido da indiferença.
Como senti a tua falta.
O negro de terrores ressurge atrás de nós
A luz desaparece, funde-se, engole-se a si mesma
E regorgita a sua monótona essência
Escuridão de vazio tão preto que assemelha o branco
Deixemos os monstros dançar, voltemos à nossa dança.
Braços de húmido nevoeiro beijando-nos a vida
Sugando-nos a vontade de combatermos.
Vem nevoeiro, leva-nos para onde não existem adeus
Onde tenhamos que contemplar a imperfeição do outro
Numa eterna perfeição.
Isola-nos, e mata-nos uma e outra vez.
Mas tal como o medo nos atrai, o fim repele-nos.
Debruçados sobre a espessa superficie do terror
Vislumbramos os calmos olhos da morte
Queremos escorregar pelas lamacentas margens da entrega
Mas torna-se demais, proibido, cedo demais,
Sacode-nos, devolve-nos, eleva-nos,
Nunca caímos na fatal presença do nada.
E entregamo-nos um ao outro num abismo tão fundo
De onde parece nunca podermos regressar
Não nos impedindo de continuar.
O fim é arrebatador porque tudo o que vive o atinge.
Porque tudo o que anseia por mais está destinado a morrer.
Chegámos ao nosso.
Componho a música da nossa monstruosidade
Nas velhas teclas do piano que choram comigo.
Como sorrir enquanto nos rasgam as máscaras?
Como se abraça e sorri a qualquer outra pessoa.
Somos forçados a sentirmo-nos forçados
Embaraçados, culpados, estragados,
Por sabermos que o outro não é um alguém
Mas o todo, o alguém-eu perdido nas sensações
Relembrado a cada cruzar de olhos.
Ar húmido e denso, ofegante
Sufoco em ti, sufoco de ti
Perseguidos por luzes, ofuscados por abismos
Contrastes nítidos que ondulam em nós.
O medo move almas,
O medo aprisiona corações
Monstros dançam na massa negra da noite
Escondem-se atrás de pedras e musgos
Saltam por detrás de troncos e curvas
Fogem da luz, movimentam-se em si mesmos
Prometem arranhar-nos do seu mundo negro,
Porque o nosso é vermelho
Vermelho de sangue, vermelho escarlate
O que nos corre nas veias.
O medo fascina irracionalidades
O medo atrai vazios
E atrás deles corremos porque nunca basta
O corpo reage ao terror que nos envolve
Envolvendo-nos mais nele.
Gritas poemas escritos nas pálpebras dos olhos
Recito frases surdas nunca antes feitas
Que a escuridão nos engula na sua voraz fome
Música que nos pinta a vida e a morte.
Afastamo-nos no escuro, esquecemo-nos de nós.
A tua mão traz-me de volta
Calor que aquece o frio nas nossas bocas
Que queima o olhar gélido da indiferença.
Como senti a tua falta.
O negro de terrores ressurge atrás de nós
A luz desaparece, funde-se, engole-se a si mesma
E regorgita a sua monótona essência
Escuridão de vazio tão preto que assemelha o branco
Deixemos os monstros dançar, voltemos à nossa dança.
Braços de húmido nevoeiro beijando-nos a vida
Sugando-nos a vontade de combatermos.
Vem nevoeiro, leva-nos para onde não existem adeus
Onde tenhamos que contemplar a imperfeição do outro
Numa eterna perfeição.
Isola-nos, e mata-nos uma e outra vez.
Mas tal como o medo nos atrai, o fim repele-nos.
Debruçados sobre a espessa superficie do terror
Vislumbramos os calmos olhos da morte
Queremos escorregar pelas lamacentas margens da entrega
Mas torna-se demais, proibido, cedo demais,
Sacode-nos, devolve-nos, eleva-nos,
Nunca caímos na fatal presença do nada.
E entregamo-nos um ao outro num abismo tão fundo
De onde parece nunca podermos regressar
Não nos impedindo de continuar.
O fim é arrebatador porque tudo o que vive o atinge.
Porque tudo o que anseia por mais está destinado a morrer.
Chegámos ao nosso.
Componho a música da nossa monstruosidade
Nas velhas teclas do piano que choram comigo.

